Quem guardará os guardiões?

(Quis custodiet ipsos custodes?)
Mais um dia se levanta e os olhos do homem na muralha esperam o nascer do sol. Ele enxerga na escuridão da noite e suporta o frio da madrugada,
Seus passos ecoam no silêncio adormecido da cidade barulhenta,
Atento, ele percebe e diferencia cada som e cada presença.
Ele pensa nas ausências: na esposa que dorme, no filho que o aguarda ansioso a cada chegada, na mãe que reza por ele com o coração aflito.
Anoitece longe de casa e a mulher vê no espelho pequeno o brasão que ostenta no peito. Ela decifra silêncios, confere com os olhos, ouve palavras com uma incrível percepção: nem sempre tudo que é dito é tudo o que se tem a dizer.
Não falo de heróis, tampouco estas palavras são uma epopeia. Grandes feitos ecoam pela eternidade pela peculiaridade de serem, quase sempre, únicos.
Escrevo sobre guardiões. Pessoas comuns, de histórias comuns e força humana, que se destacam pela honra e compromisso. Acordados, para que muitos durmam. Invisíveis na noite, e tantas vezes sob o sol escaldante. Guardando a sociedade e o que a sociedade rejeita.
Homens e mulheres que caminham no meio dos pavilhões: entre vozes e olhares, entre grades e bigornas, cadeados e histórias. Nenhum dia é igual ao outro, mas todos se estendem vagarosos. Diferenciam-se pelo modo como são contados: mais um. menos um.
Eu, que visto o que me invisibiliza diante de muitos, escrevi estas palavras em uma das noites que vi tornar-se dia. O que somos?
Guardiões das muralhas ou as próprias muralhas? O rosto por entre as barras de ferro, ou o ferro forjado no fogo de noites intermináveis e dias quentes e longos? O olhar que percebe o imperceptível, mas também que se fecha na oração de cada dia?
Não sei. Sei que o sol vai se levantar em breve, o homem (da) muralha o aguarda. Finda mais uma noite, mas sua missão nunca acaba.
Uma homenagem a Polícia Penal do Tocantins por seus 04 anos de honra e compromisso.
Alyne Soares Parma