Em cobrança por direitos, agentes penitenciários alegam condições precárias e podem entrar em greve no Tocantins

Os servidores do Sistema Penitenciário do Tocantins podem entrar em greve caso Governo não negocie direitos trabalhistas que segundo os representantes não estão sendo pagos pelo Estado e melhore também as condições de trabalho nas unidades prisionais.

Entrevistado pela Gazeta do Cerrado nesta terça-feira, 13, o presidente da Associação dos Profissionais do Sistema Penitenciário do Estado do Tocantins (Prosispen), Wilton Angelis Alves Pereira Barbosa diz que este ano a primeira turma completa 3 anos de serviços prestados ao Tocantins e não receberam alguns direitos.

“Em maio vamos completar 3 anos de serviços prestados e nunca recebemos adicional de periculosidade, adicional noturno e nem horas extras. Formulamos um estatuto em conjunto com a classe, teve a participação da Escola Penitenciária, fizemos a entrega do documento nas mãos do secretário pra ser levado ao Governo, hoje ele se encontra na Secad, só que não está dando andamento”.

O presidente da Prosispen afirmou ainda que uma recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) prevê 1 agente penitenciário para cada 5 detentos.

“Nossa realidade hoje em algumas unidades é de 18 presos para cada agente penitenciário, em outras é 1 agente cuidando de 20 detentos, por conta do baixo efetivo, sendo essencial a nomeação do cadastro de reserva, que são 162 policiais penais que já fizeram o curso de formação e estão aguardando uma posse”.

Outra servidora também confirmou à nossa equipe que as condições de trabalho nas unidades prisionais do Tocantins são precárias.

“É muito frustrante pra nós trabalharmos nas condições precárias que trabalhamos, e não termos nenhum reconhecimento do estado. É doloroso. trabalhamos numa profissão muito perigosa, e quase sempre sem equipamentos, sem material adequado, quando tem arma não tem munição, falta colete, falta até cama pra gente descansar no plantão.
O estado fecha os olhos pro sistema penitenciário e seu principal material: o humano que trata com o apenado”, revelou uma servidora do penitenciário em entrevista.

Wilton Angelis contou ainda que a Associação está tentando sentar na mesa de negociação.

“Já fizemos ofício a Secretário, Governador, Vice-governador, ao Rolf da Casa da Civil e não obtivemos resposta e nem fomos convocados para falar especificamente de direitos trabalhistas. É na nossa pauta principal”.

Ofício requerendo o estudo do impacto financeiro da implementação de nossos direitos em folha estabelecidos no Estatuto – Divulgação

O outro lado

A  Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju) enviou nota sobre o assunto. Veja íntegra:

Nota a Gazeta do Cerrado

Data:14/01/2020

Assunto: Possível greve dos agentes de execução penal

A  Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju), através da Superintendência do Sistema Penitenciário e Prisional (Sispen), informa que tem trabalhado continuamente nos últimos anos para a reestruturação do sistema, bem como adotado medidas para revitalização das unidades prisionais e melhores condições de trabalho aos servidores. A Seciju também esclarece que os primeiros servidores do concurso do Quadro de Defesa Social e Segurança Penitenciária do Estado do Tocantins, começaram a tomar posse dia 27 de abril. Assim, o término do estágio probatório se dará apenas em 27 de abril do corrente ano. A secretaria explica que o estatuto dos servidores do Sispen encontra-se em análise. E devido o advento da aprovação da Polícia Penal, foi necessária a retificação de itens do documento. Desta maneira, a Seciju explica que já foi montado um grupo de trabalho que irá tratar da regulamentação da polícia penal no Estado do Tocantins. Sendo que o mesmo já fará a primeira reunião na próxima sexta-feira,17, na sede da Seciju. Quanto aos adicionais noturnos e demais direitos dos servidores do Sispen, a pasta esclarece que esses itens estão inclusos no estatuto do servidor, que está em análise. Porém, o Governo firmou acordo com a categoria para pagar indenização pela atividade de risco exercida.

A Medida Provisória (MP) que institui o pagamento de indenização por Sujeição ao Trabalho Penitenciário e Prisional (ISTPP) foi assinada em 1º de outubro de 2019. E prevê o pagamento de R$ 500,00 mensais, ao longo do período de outubro de 2019 a outubro de 2020, desprovidos de característica salarial. Sobre a avaliação de desempenho dos servidores, a Seciju informa que estão sendo tomadas as medidas necessárias para o andamento do processo. 

A Seciju ainda esclarece que está à disposição para conversar com representantes dos servidores do Sispen, sobre as requisições feitas pela categoria.